You are using an outdated browser. For a faster, safer browsing experience, upgrade for free today.

Eduardo Souto de Moura

Revista Arquitetura Entrevistas | 20 Set 2017

"A ARQUITETURA NÃO É ARTE"

 

Numa vida feita de clareza e continuidade, Eduardo Souto de Moura deu ao mundo uma arquitetura virtuosa, de uma aparente simplicidade. O segundo arquiteto português a arrecadar o Pritzker da arquitetura, em 2011, usa todas as palavras do alfabeto para falar de um percurso desenhado na medida e na forma que quis. Hoje, aos 65 anos, continua a assinar projetos marcantes pela forma e função, como a Central Hidroelétrica da Barragem do Tua, a orquestrar diferentes equipas de trabalho, e na ordem de trabalhos está a recuperação das suas primeiras casas, com os mesmos clientes, ou os que lhes deram nova vida.

 

Nos dias de hoje, a arquitetura parece querer ser adorada por todos. Acredita que ela (o seu papel) é verdadeiramente percecionada pela sociedade ou terá sempre uma linguagem própria?

Não é a arquitetura que é adorada, os arquitetos é que gostam de fazer umas coisas e que gostem das coisas que eles fazem, aqui não há falsas modéstias. E porquê? Porque as pessoas fazem objetos, casas, o que for preciso, para responder a uma função e depois têm de ultrapassar essa função específica. Têm que dar mais atributos para dar mais qualidades e, se possível, criar emoções, mas isso acontece depois. Quem tem de fazer uma maternidade não vai dizer "eu vou emocionar bebés". Se tenho de fazer uma maternidade, e digo “ponho a luz aqui ou faço este efeito, pinto desta cor ou uso este material que nunca ninguém usou”, aquilo pode gerar a tal mais-valia e criar as tais emoções. Do meu ponto de vista, é o que faz com que deixe de haver construção e passe a ser arquitetura. Que não é arte do meu ponto de vista. A arquitetura não é arte. 

 

A aceitação do coletivo é essencial. Preocupa-lhe esta questão?

Não chega só a relação direta e linear forma/função, porque as pessoas pedem sempre mais. A parte estética, a simbologia, os significados, a transmissão do indivíduo em relação ao coletivo. Vai tudo dar ao mesmo.
(...)

Publicado na ROOF 10

 


Casa das Histórias Paula Rego © NEssa Gnatoush / Shutterstock.com

Torre do Burgo

Eduardo Souto de Moura © Isadora Faustino


Estádio Municipal de Braga © SC Braga


Convento das Bernardas

 

Texto: Cátia Fernandes

Para ler o artigo completo assine a ROOF - An IN & OUT Magazine na versão em papel ou digital

Subscrever a Revista

Relacionados

Marc Fornes

Revista Arquitetura Entrevistas

Dorte Mandrup

Revista Arquitetura Entrevistas

Álvaro Leite Siza Vieira

Revista Arquitetura Entrevistas
portugal 2020